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Inaara Habibo - India


March 26, 2019

March 2019





“às vezes.





às vezes é difícil



às vezes não consigo distinguir a mágoa da tristeza



às vezes esqueço-me e volto a amar e a perdoar



às vezes sinto-me irritada com a vontade que tenho de voltar



voltar a momentos, a sitios, voltar a sensações e a pessoas



às vezes perco-me no passado



passado este que está encerrado e que nunca mais irá voltar



às vezes tenho medo



medo de perder e de me perder



às vezes perco-me nos meus pensamentos



que são infinitos se assim o quiser



às vezes sinto saudade



às vezes quero ficar só mais um segundo



às vezes sou contrariada



pela vida ou por seres que nela habitam



às vezes julgo e sinto-me julgada



às vezes não tenho espaço



espaço este que vou ter que encontrar



nunca físico mas relacionado com o espaço a que pertenço



às vezes minto



mais vezes do que devia



perguntando-me quem também me estará a mentir



às vezes amo



outras não tanto



às vezes canso-me de viver, de estar, de lidar



às vezes sinto-me grata e realizada



às vezes choro



às vezes rio-me



Mas sempre, nunca nada



sempre às vezes.”





I wrote this during our last regional reconnect. Laying down on the grass of one of my favourite places in town. I was feeling some type of way.



Earlier that day, while walking near the lake, an old man read my face and my hand. He said things I did not want to hear, it was harsh. But I am grateful.


Inaara Habibo